terça-feira, 30 de setembro de 2014

PARA MARIA DO CARMO SIMÕES

«Il faut compenser l'absence par le souvenir. 
La mémoire est le miroir où nous regardons les absents." 
Joseph Joubert

Fui incapaz de uma cantiga de embalar
quando era adverso para ti adormecer
num recanto estranho
de intensivo esforço hospitalar
porque
arrancaste uma cesta de Cravos
como convém, de manhã,
àqueles cuja viagem se afigura
longa, definitiva e silenciosa.

Passaste a porta que só abre
e vais, a cheirar Abril,
de convicções serenas, firmes, entroncadas.
No teu rasto há pegadas de literatura,
de juventude, de empenho, e laçadas
que se anelam na multidão inconformada.

Maria do Cravo,

estancas o rumor com a exactidão da memória trabalhada
por isso te vislumbramos já a reatar luzeiros
nas ondulações de Torgas, Soeiros, Pessoas, Saramagos, Caritas e outros
e por isso também
continuamos a ingurgitar Abril no lustro
e no aroma que alastra da tua cesta de cravos.

29 de setembro de 2014
José Maria

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