segunda-feira, 8 de julho de 2013

Portal de Nisa - In Memorian: FERNANDO EDUARDO CARITA

 Um grande Poeta nisense que partiu 
 Será o poema essa coisa ínfima
Que rodeia o corpo e a ausência?
Essa parte ínfima
Que arde
E sempre está a arder
Na rosa insuspeitada?
- Yves Namur – in “Figuras do Muito Obscuro - Tradução de Fernando Eduardo Carita.

Faleceu no sábado, em Lisboa, após doença prolongada, Fernando Eduardo Louro Carita, natural de Nisa, onde nasceu a 27 de Maio de 1961.
Tinha 52 anos, o Fernando Eduardo Carita, nome como era conhecido nos anais da literatura e da poesia e deixa publicadas algumas das mais significativas obras da moderna poesia portuguesa.
Licenciado em Línguas e Literaturas Modernas (português e francês) foi professor na Escola Prof. Mendes dos Remédios, de Nisa e mais tarde na Escola Secundária Ferreira Dias (Agualva-Cacém), estabelecimento onde viria a interromper a sua actividade docente, já minado pela grave doença com que viria a falecer, uma doença que enfrentou com uma coragem e determinação inigualáveis.
O ensino do Português, a poesia e a família, foram os grande amores de Fernando Eduardo Carita.
Publicou três livros: A Obscura Espiritualidade da Matéria (1988) edição de autor; A Salvação Pelo Vazio / Le salut par le vide (edição bilíngue traduzida para o francês por Marie Claire Vromans.) (2005); A casa, o Caminho / La maison, le chemin (edição bilíngue traduzida para o francês por. Marie Claire Vromans) (2008).
Para além da colaboração em diversas revistas da especialidade, dois dos seus poemas foram publicados no número 177 – Maio de 2011 da Revista Colóquio /Letras – Poesia.
Traduziu inúmeros textos de conhecidos autores, entre estes Yves Namur, poeta belga, cuja tradução deu a conhecer em Portugal, “Figuras do Muito Obscuro”, livro prefaciado por Nuno Júdice.
Fernando Eduardo Carita foi um dos 40 escritores entrevistados por Ana Marques Gastão para o Diário de Notícias e reunidas num volume de 468 páginas, O Falar dos Poetas, publicado pela Afrontamento.
“ A poesia de Fernando Eduardo Carita pode ser visto como possuidor de uma consciência singular, marcado pelo aforismo e parábola - um estilo sentencioso, que, no entanto, não dispensa um íntimo registo, lírico que questiona o mundo, o significado de significado, a casa - linguagem - o que lhe aparece como o símbolo de um lugar perdido que o poema tenta ressuscitar. A temática de sua poesia gira em torno das questões do nome, da autoridade do autor, a inexorabilidade do tempo, o processo da identidade de um sujeito que se pergunta de forma permanente, dentro do poema, sobre a ausência de Deus. Ele é um autor discreto que se tornou uma das vozes mais originais da poesia contemporânea Português.” -António Carlos Cortez
 Poema de A Casa, O Caminho
1
Todo o homem é uma invenção cuja patente
Não terá sido ainda descoberta em nenhum arquivo
Da história,
Invenção até hoje nunca reclamada por ninguém,
A solidão de um homem é esta vivência agónica de uma orfandade
Que o deixa abandonado a si mesmo,
É também a sensação obsidiante de ninguém ter ainda aparecido
Para o registar como concepção original sua,
Em constante sobressalto vive o poeta assombrado por este completo e enigmático
Desamparo que sempre o exporá aos perigos decorrentes de processos de uma falsificação
Abjecta e aleatória quando não indiscriminada,
E haverá porventura um dia em que nem ele próprio sequer saberá se é ou não
Uma mera cópia fidedigna ou uma grosseira contrafacção.


  " Poema  60  "
Nascer aqui é falhar ainda
O silêncio das árvores em crescimento,
Nascer aqui é sempre demasiado tarde
Para ir beber à fundura de um poço,
Nascer aqui dói às pedras
Que excederam a altura da casa,
Nascer aqui impede os cães de conduzir
A cegueira dos espelhos desde o olhar até à visão,
Nascer aqui afugenta o invisível para longe da vida,
Nascer aqui é um ruído de fundo
Para dissuadir a hospitalidade do tempo à nossa mesa,
Nascer aqui é demasiado tarde para sermos
perpendiculares
À oferenda mútua dos corpos,
Nascer aqui desfaz a aritmética dos passos sem
caminhante,
Nascer aqui muda-nos a todo o instante de origem e
destino,
Nascer aqui atenta contra o trabalho escultórico
De uma minuciosa nudez dos pensamentos para pôr a
salvo
O vazio de nascer agora e por fim em nenhum lugar.
In “A Salvação Pelo Vazio”

O Fernando Eduardo Carita morreu. Como escrevia um colega seu “ a Ferreira (Dias) perde um professor, um colega.
A Ferreira não perde um Amigo, um Poeta, um Pensador.”
Aos pais, professores João Maria e Maria Manuela, aos irmãos Filipe Manuel e João Paulo, a todos os familiares e amigos, expressamos sentidas condolências.
O Fernando Eduardo partiu mas onde quer que se encontre, o céu estará mais perto.
E, nós dele, através da poesia que nos deixou.
Mário Mendes in "Alto Alentejo" - 26/6/2013

Aqui: http://jornaldenisa.blogspot.pt/2013/06/in-memorian-fernando-eduardo-carita.html

domingo, 7 de julho de 2013

ANTÓNIO CARLOS CORTEZ - Homenagem a FERNANDO EDUARDO CARITA

     Na Igreja de Benfica, no dia 23 de junho, tivemos o privilégio de ouvir, acompanhada de poemas do Fernando, esta sentida homenagem pela voz do seu autor.
      Ferreira Dias e Noites agradece a António Carlos Cortez e à Família do Fernando esta generosa dádiva que doravante podemos todos partilhar.
FERNANDO EDUARDO CARITA
(1961-2013)
UM TESTEMUNHO

Para o Fernando.
Para os seus pais, irmãos e sobrinhas. Aos seus alunos e colegas da Escola Secundária Ferreira Dias

          Conheci o Fernando Eduardo Carita em 2001/2002. Foi na esplanada do café «Nilo». Ou melhor: foi ainda nas antigas mesas do café «Nilo» e não na esplanada, cá fora, pois não era Primavera, nem Verão, mas um final de Inverno que anunciava o que viria a ser um belo encontro humano. O Fernando, no seu porte distinto e discreto, com uma caneta Bic, preta, apontava num pequeno caderno qualquer coisa que, pelo modo como estava concentrado, deveria ser urgente, belo e necessário. Já há algum tempo que eu tinha reparado no Fernando. Nesse dia não reprimi a vontade de o conhecer e levantei-me da minha mesa, onde eu também passava as manhãs de Sábado a ler ou a não fazer coisa nenhuma, para me dirigir àquela pessoa que – lembro-me agora – parava de vez em quando de escrever e nos olhava, oblíqua ou profundamente, regressando, baixando os olhos, à escrita ou à leitura. Perguntei se me podia sentar e ele, surpreendido mas acolhedor, disse que sim. Perguntei-lhe se era professor (porque me parecia ter a atitude, a presença dum professor de facto) e o que estava a ler. Educadíssimo, esmerado, sensível a quem, jovem e provocatório, assim se lhe dirigia de forma curiosa, disse-me que estava a ler Poesia Vertical, dum poeta chamado Roberto Juarroz. Coindidência incrível. Também eu estava a ler, não a poesia de Juarroz, mas um ensaio de António Ramos Rosa sobre a poesia do poeta argentino.
          Creio que o nosso encontro – e as centenas de encontros que a esse se seguiram nos doze anos de partilha e cumplicidade – teve o condão da poesia e da sua luminosa fraternidade. Nesse mesmo dia combinámos novo encontro e como morávamos perto foi-se estabelecendo um tácito acordo. Aos Sábados, e pelo menos duas vezes por semana, era certo o café da manhã no «Nilo». À tarde, após o almoço, novo café, pretexto para desfiar de comversas sobre livros, ideias, paixões. A urgência de viver. Entre 2001 e 2010/011 eu e o Fernando perdemos a conta aos jantares e almoços que fizemos... nestes últimos tempos, por culpa minha, bem menos regulares (talvez quando nos voltarmos a encontrar possamos, com Juarroz e outros da nossa confraria, retomar esses jantares e cafés onde a vida irrompia simples, calma e bela nas palavras que trocávamos...).
          O Fernando Eduardo Carita, para além da amizade profunda aos seus amigos, foi também, para mim, uma espécie de misterioso orientador de leituras e um cúmplice fazedor de ideias. O Fernando é das pessoas mais cultas e sensíveis que até hoje conheci. Jamais se envaideceu com a sua cultura, com o seu transversal saber, que ia da Poesia europeia à Filosofia, da música à pintura. Bilingue, dominando na perfeição a língua francesa, foi tradutor exímio do poeta belga Yves Namur. Para além desse seu trabalho como tradutor, publicou três livros de poesia. O primeiro, em 1988, A Obscura Espiritualidade da Matéria, em edição de autor e, em 2005 e 2008, dois livros: A Salvação pelo Vazio e A Casa o Caminho, ambos traduzidos por Marie-Claire Vromans e editados na Taillis Prés. Dum volume que lhe será póstumo, intitulado O Deus do Inacabado (será também traduzido por Marie-Claire Vromans e com chancela da editora de Yves Namur), saíram em Agosto de 2011, no número 177 da revista Colóquio-Letras, dois poemas. Lembro-me da felicidade e surpresa com que recebeu a notícia dessa publicação. Dava-se a curiosa coincidência de esse número ser dedicado à «Poesia 61», o ano de nascimento do Fernando. Com os olhos vivíssimos, o sorriso franco e aberto, numa voz pausada e forte, ora rápida e incisiva, ora lenta e grave, disse-me: «António, tu já viste isto?! Então agora já sou um poeta português?...» É que para o Fernando Eduardo Carita, apesar de as edições dos seus livros serem bilingues, ele queria, na verdade, que a sua poesia fosse publicada em português. Numa editora portuguesa. Acontecerá, sem dúvida, por razões óbvias: a sua obra é, quanto a mim, das mais belas expressões de espiritualidade que a poesia de língua portuguesa recente produziu. Dar a conhecer o autor de A Salvação pelo Vazio impõe-se.
          Fernando Eduardo Carita, professor, poeta, tradutor, foi alguém com quem partilhei uma fase decisiva do meu crescimento como homem, também eu professor. É para mim um motivo de alegria ter ido, em três ocasiões, à escola do Fernando, a Escola Secundária Ferreira Dias, por ele convidado, falar sobre poesia, sobre Literatura e cultura. Unia-nos uma forte consciência quanto à urgência da Literatura e da Cultura no ensino do Português. Cáustico, incisivo, irónico, o Fernando não hesitava em condenar, em invectivar a mediocridade, o fanatismo, a ignorância... Sempre com elevação, por muito revoltado que se sentisse em face duma realidade europeia e portuguesa que, dizia-me, nos iria levar à barbárie da ignorância... Certas frases do Fernando Eduardo foram, perante o que vivemos, de uma terrível premonição...
          Sei o quanto ele amou ser professor. Sei o quanto exigia de si próprio para que as aulas fossem esse encontro de espíritos com a cultura viva que, pela mão da poesia e da filosofia, que ele sabia integrar como poucos, era para ele o fio condutor das relações humanas. Em diversas ocasiões lhe disse que os seus alunos ganhavam imenso ao ter um professor assim. Eles, os seus alunos, bem como os seus colegas, sabem disso. Todavia, por ser discreto e humilde, respondia-me sempre: «Não, António. Quem lhes deve agradecer sou eu por me darem a oportunidade de estar aqui... Eu é que aprendo com eles...»
          Aos seus pais – Manuela e João -, aos seus irmãos – Filipe e João Paulo-, às suas sobrinhas e demais família, mas aos seus queridos alunos, que nele tiveram um professor raríssimo, as minhas palavras finais são de paz e de alegria e de entusiasmo. Paz, porque é necessário tranquilizar os corações (o Fernando merece o seu descanso. O seu corpo lutou dignamente e ganhou, saiu vitorioso) e alegria e entusiasmo para os dias que o futuro nos reserva, porque o Fernando estará sempre connosco na sua poesia e a sua obra chegará longe, assim como a sua memória será, por muitos, celebrada.
          Dele eu vou guardar as conversas, os encontros, os cafés, a mesa cheia de livros e jornais. A sua generosidade para comigo. A sua benevolência. A sua inigualável coragem e constante amizade. Guardarei também estas palavras:

As mãos que colheram verdadeiramente a rosa
Também colheram as tuas mãos

          Eu, das mãos do Fernando, colhi o seu desejo de viver, a sua serena aceitação do que os dias têm para nós. Ao mesmo tempo colhi o seu entusiasmo; a sua entusiástica forma de ver que tudo está em tudo, que nada se perde e em mim o Fernando Carita continuará vivo e estará comigo. 


António Carlos Cortez, Lisboa, 
café «Nilo», 22 de Junho de 2013

terça-feira, 2 de julho de 2013

WAS IST INKLUSION ?


«Yes we scan!» selon JOËL GUENOUN...


SOYONS ATTENTIFS!!!

CROATIE - 28ème membre de l'U.E.



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"Bienvenue dans l'Union européenne", a lancé le président de la Commission européenne José Manuel Barroso à la foule rassemblée à Zagreb, peu avant que "L'ode à la joie" de Beethoven - hymne de l'UE -, ne consacre l'intégration de la Croatie comme 28ème membre de l'Union.

MERCI:
http://www.rtbf.be/info/monde/detail_la-croatie-integre-l-europe-dans-la-joie-malgre-les-nuages-de-la-crise?id=8030781

«YES WE CAN!»


SURVEILLANCE • Comment les Etats-Unis espionnent leurs alliés

Le magazine Der Spiegel révèle l'envergure de l'espionnage américain en Europe. Chaque mois, la NSA surveille un demi-milliard de communications privées et les bâtiments de l'UE sont sur écoute. Une affaire qui menace les relations transatlantiques.

MERCI:
http://www.courrierinternational.com/article/2013/07/01/comment-les-etats-unis-espionnent-leurs-allies?page=all