O próprio do ser humano é pensar. Pensa, pois, de dia e de noite. Neste espaço - às vezes nulo - entre dias e noites surgiu a possibilidade de um estendal de documentos. Primeiro, pensados para possível utilização em atividades escolares. Depois, expostos à sensibilidade de qualquer um. Se não vieres de dia, se não vieres de noite, podes vir ao lusco-fusco que é quando o texto, a imagem, o som e o silêncio sustentam a cor do teu olhar.
José Maria Laura
domingo, 12 de junho de 2022
Emocionómetro na Ferreira...
sexta-feira, 10 de junho de 2022
MANUEL ALEGRE - Luís de Camões
Tinha uma flauta.
Não tinha mais nada mas tinha uma flauta
Tinha um órgão no sangue uma fonte de música
Tinha uma flauta.
Os outros armavam-se mas ele não:
Tinha uma flauta.
Os outros jogavam perdiam ganhavam
Tinham Madrid e tinham Lisboa
Tinham escravos na índia mas ele não:
Tinha uma flauta.
Tinham navios tinham soldados
Tinham palácios e tinham forcas
Tinham igrejas e tribunais
Mas ele não:
Tinha uma flauta.
Só ele Príncipe.
Dormiam rainhas na cama do rei
Princesas esperavam no Belvedere
Ele tinha uma escrava que morreu no mar.
Morreram escravas as rainhas
Morreram escravas as princesas
Nenhuma teve o seu rei
Para nenhum chegou o Príncipe.
Por isso a única rainha
Foi aquela escrava que morreu no mar:
Só ela teve
O que tinha uma flauta.
Morreram os reis que tinham impérios
Morreram os príncipes que tinham castelos
Mas ele não:
Tinha uma flauta.
De fora vieram reis
Vieram armas de fora
Os príncipes entregaram armas
Ficou sem armas o povo.
As armas de fora venceram
Todas as armas de dentro.
Só não venceram o que não tinha armas:
Tinha uma flauta.
E as vozes de fora mandaram
Calar as vozes de dentro.
Só não puderam calar aquela flauta.
Vieram juízes e cadeias.
Mas a flauta cantava.
Passaram por todas as fronteiras.
Só não puderam passar
Pela fronteira
Daquela flauta.
E quando tudo se perdeu
Ficou a arma do que não tinha armas:
Tinha uma flauta.
Ficou uma flauta que cantava.
E era uma Pátria.
Manuel Alegre
JÚLIO POMAR e MIGUEL TORGA - Camões
sábado, 4 de junho de 2022
ANTÓNIO GALOPIM DE CARVALHO - Velhos
Velho, sem mais rodeios, é, na realidade, o que eu sou. Eufemisticamente, tratam-nos, a mim e aos que vivemos esta última etapa da vida, por idosos, ou seja, aqueles que têm muita idade ou muitos anos vividos. Sem apelo nem agravo, todos envelhecemos. Como em tudo no Universo que conhecemos, das estrelas aos planetas, das rochas aos seres vivos, o tempo faz os seus estragos.
Se é certo que o futuro dos velhos é minguado e a encurtar, veloz, a cada dia que passa, o seu passado é extenso e repleto de experiências vividas e presenciadas. Os velhos, a quem o cérebro vai resistindo à erosão do tempo, nos quais me julgo incluído, são valiosos arquivos de conhecimentos que se perdem com o seu desaparecimento. E, quando falo de conhecimento, falo de toda a espécie de sabedoria, seja ela qual for, da mais simples à mais complexa e erudita.
quinta-feira, 26 de maio de 2022
sábado, 21 de maio de 2022
EXAMES DELF 2022
Nos dias 19 e 20 de maio, 11 alunos (9º, 10º, 11º e 12º anos) realizaram as provas do DELF ESCOLAR em Lisboa, na Alliance Française.
O DELF – Diplôme d’Études en Langue Française (Diploma de Estudos em Língua Francesa) é o diploma oficial do Ministério da Educação Nacional Francês para certificar as competências em francês dos candidatos estrangeiros. Estes diplomas são reconhecidos internacionalmente.
Os nossos alunos prepararam-se para as provas orais e escritas (compreensão e expressão), no âmbito do DELFerreira, projeto desenvolvido na nossa escola desde 2013.










