terça-feira, 29 de setembro de 2015

JOSÉ EDUARDO AGUALUSA - Raças impuras


Raças impuras

Os portugueses são, de fato, essa mistura antiga de árabes, judeus e negros
Assim como os brasileiros gostam de contar piadas de portugueses, os portugueses gostam de contar piadas de alentejanos. Os alentejanos são, digamos assim, os portugueses dos portugueses. Amo o Alentejo. Tenho uma enorme simpatia pelos alentejanos. Se tivesse nascido em Portugal gostaria que fosse em Évora. As largas planícies alentejanas lembram, até certo ponto, as savanas africanas. O Alentejo é o único lugar onde Portugal parece grande.
Durante séculos, o sul de Portugal recebeu escravos negros. Em 1761, ano em que o Marquês de Pombal determinou o fim da entrada de escravos em Portugal, ainda haveria pelo menos cinco mil a trabalhar nas planícies alentejanas. Persistem sinais dessa presença em alguma toponímia e até em certos nomes de família, de origem banto.
A influência árabe, essa, é evidente. Inclusive na música. O fado, aliás, está tão próximo de alguma tradição árabe que há quem junte as duas e é como se sempre tivesse sido assim. Ouçam por exemplo o jovem Ricardo Ribeiro, cantando, em árabe e português, na feliz companhia do alaúde do libanês Rabih Abou-Khalil. Ouçam a seguir a cantora tunisina Amina Alaoui em “Arco-íris”, um dos mais belos discos de fado que eu conheço.
Pensei nisto tudo no aniversário de Zambujo, enquanto um grupo de alentejanos, numa mesa próxima, começava a cantar. Aquele pátio belíssimo podia ser em Tanger. Podia ser em Marrakech ou em Casablanca. Neste mesmo dia, à tarde, assisti a uma reportagem sobre o drama dos refugiados sírios. Uma moça de voz estridente, entrevistada na rua, insurgiu-se contra a possibilidade de Portugal receber alguns desses refugiados ou quaisquer outros “árabes”, gente, afirmava ela, sem laços de sangue e de cultura com Portugal. Escutei-a horrorizado. Não há maneira de me conformar com a ignorância.
Lembrei-me de um episódio que me contou Mário Soares. Um dia, num encontro que o antigo presidente português teve com Yasser Arafat, para discutir o interminável conflito israelo-árabe, este chamou-lhe a atenção para a herança árabe da Península Ibérica: “Vocês, portugueses, têm de nos apoiar. Afinal, vocês são árabes”.
“É verdade.” Reconheceu Soares, e logo acrescentou: “Mas também somos judeus”.
Os portugueses são, de fato, essa mistura antiga de árabes, judeus e negros. Os brasileiros são a mistura, ainda mais desvairada, de portugueses, africanos, índios, libaneses, japoneses etc. Um português que odeie “árabes” é um português que se odeia a si próprio. Um neonazi português ou brasileiro é o mais esdrúxulo, ridículo e repulsivo dos oxímoros. Contudo — pasme-se! — eles existem. Os comentários nas redes sociais, ou nos jornais on-line, são uma versão moderna dos antigos gabinetes de curiosidades, ou quartos de maravilhas, salas onde, nos séculos XVI e XVII, os fidalgos endinheirados acumulavam coleções de bizarrias, sortilégios e impossibilidades, como sereias empalhadas, cornos de unicórnios ou lágrimas de crocodilo. Nas caixas de comentários dos jornais, os prodígios, deformidades e monstruosidades não são físicos, mas ideológicos e morais. As pessoas exibem ali, com um estranho orgulho, as suas piores deformidades morais, a estreiteza aflitiva dos espíritos, as ideias mais monstruosas. Ali está a exaltada patricinha carioca, defendendo a interdição das praias da Zona Sul aos negros e pobres, ou o operário lisboeta que quer destruir a mesquita de Lisboa. Há de tudo.
Em Dresden, na Alemanha, um grupo de neonazis colombianos foi espancado por neonazis alemães quando tentava juntar-se a uma manifestação contra a entrada de refugiados sírios. Um deles queixou-se amargamente: “Já não basta que na Colômbia nos chamem morenonazis. Nós somos de raça pura, sim, apenas escurecemos um pouco por causa do clima”.
É a história do ratinho que achava que era um gato, até que um gato o comeu.
António Zambujo fez 40 anos. Para festejar o acontecimento, juntou um grupo de amigos num pátio de Lisboa. Quando cheguei, o rio Tejo, lá ao fundo, ainda guardava o último fulgor do dia. Era como um incêndio desaguando na escuridão. A escuridão era o mar. Conheci António Zambujo em São Paulo. Foi Marília Gabriela quem pela primeira vez me falou dele: “Você já ouviu um fadista português chamado António Zambujo?” — perguntou-me. Disse-lhe que não: “Não existe. Se existisse eu saberia”. Então ela ofereceu-me um disco, era o “Outro sentido”, de 2007, e eu fiquei maravilhado. Não sabia que havia em Portugal alguém a fazer música assim. Tentei justificar a minha ignorância: “Você disse-me que era um cantor português e este António é alentejano”.
  
AQUI:
http://oglobo.globo.com/cultura/racas-impuras-17623219?utm_source=Facebook&utm_medium=Social&utm_campaign=compartilhar

GRAND CORPS MALADE - Nos absents

«À plusieurs on est plus fort mais on est pas moins triste.»



C’est pas vraiment des fantômes, mais leur absence est tellement forte,
qu’elle crée en nous une présence qui nous rend faible, nous supporte.
C’est ceux qu’on a aimé qui créaient un vide presque tangible,
car l’amour qu’on leur donnait est orphelin, il cherche une cible.
Pour certains on le savait, on s’était préparé au pire,
mais d’autres ont disparu d’un seul coup, sans prévenir.
On leur a pas dit au revoir, ils sont partis sans notre accord,
car la mort a ses raisons que notre raison ignore.
Alors on s’est regroupé d’un réconfort utopiste.
À plusieurs on est plus fort mais on est pas moins triste.
C’est seul qu’on fait son deuil, car on est seul quand on ressent.
On apprivoise la douleur et la présence de nos absents.
Nos absents sont toujours là, à l’esprit et dans nos souvenirs.
Sur ce film de vacances, sur ces photos pleines de sourires.
Nos absents nous entourent et resteront à nos côtés,
ils reprennent vie dans nos rêves, comme si de rien n’était.

On se rassure face à la souffrance qui nous serre le cou,
en se disant que là où ils sont, ils ont sûrement moins mal que nous.
Alors on marche, on rit, on chante, mais leur ombre demeure,
dans un coin de nos cerveaux, dans un coin de notre bonheur.
Nous, on a des projets, on dessine nos lendemains.
On décide du chemin, on regarde l’avenir entre nos mains.
Et au cœur de l’action, dans nos victoires ou nos enfers,
on imagine de temps en temps que nos absents nous voient faire.
Chaque vie est un miracle, mais le final est énervant.
J’me suis bien renseigné, on en sortira pas vivant.
Faut apprendre à l’accepter pour essayer de vieillir heureux,
mais chaque année nos absents sont un peu plus nombreux.
Chaque nouvelle disparition transforme nos cœurs en dentelle,
mais le temps passe et les douleurs vives deviennent pastel.
Ce temps qui pour une fois est un véritable allié.
Chaque heure passée est une pommade, il en faudra des milliers.

Moi, les morts, les disparus, je n’en parle pas beaucoup.
Alors j’écris sur eux, je titille mes sujets tabous.
Ce grand mystère qui nous attend, notre ultime point commun à tous
qui fait qu’on court après la vie, sachant que la mort est à nos trousses.
C’est pas vraiment des fantômes, mais leur absence est tellement forte,
qu’elle crée en nous une présence qui nous rend faible, nous supporte.
C’est ceux qu’on a aimé qui créaient un vide presque infini,
qu’inspirent des textes premier degré. Faut dire que la mort manque d’ironie.


«On apprivoise la douleur et la présence de nos absents.»

segunda-feira, 28 de setembro de 2015

CRIANÇAS CIGANAS - «Yo no soy trapacero, yo no soy trapacera»




Ciganos protestam contra definição "pejorativa" no dicionário espanhol

A convite do Conselho Estatal do Povo Cigano Espanhol, dez crianças ciganas falam sobre os seus sonhos, gostos e aspirações para o futuro num curto vídeo de dois minutos. A certa altura, a entrevistadora pede-lhes para abrir o Diccionario de la Real Academia de la Lengua Española e procurar a definição de “cigano” e a 5.ª entrada do dicionário dá-lhes um termo que não conhecem: “trapacero” – uma definição “pejorativa e ligada à fraude e ao engano”, defende o Conselho Estatal.
AQUI: http://lifestyle.publico.pt/noticias/347396_ciganos-protestam-contra-definicao-pejorativa-no-dicionario-espanhol


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Em Portugal, 3 dicionários em linha:




cigano
ci.ga.no
  [siˈɡɐnu]
adjetivo

1.
que diz respeito aos Ciganos
2.
que pertence aos Ciganos
nome masculino

1.
o que pertence aos Ciganos; zíngaro
2.
LINGUÍSTICA língua ou dialeto romani
3.
indivíduo nómada
4.
pejorativo aquele que tenta enganar nos negócios; trapaceiro
5.
pejorativo avarento, sovina
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ci·ga·no 
(talvez do francês antigo cigain, actualmente francês tsigane ou tzigane)
adjectivo
1. Relativo a ou próprio dos ciganos (ex.: canto cigano). = ZÍNGARO
adjectivo e substantivo masculino
2. Diz-se de ou indivíduo pertencente aos ciganos, povo nómada, de origem asiática, que se espalhou pelo mundo. = MANUCHE, ZÍNGARO
3. [Informal]  Que ou aquele que leva vida errante.
4. [Informal]  Que ou aquele que tem arte e graça para captar as vontades.
5. [Pejorativo]  Que ou quem age com astúcia para enganar ou burlar alguém. = BURLÃO, IMPOSTOR, 
TRAPACEIRO, VELHACO
6. [Pejorativo]  Que ou aquele que é excessivamente agarrado ao dinheiro. = AVARENTO, SOVINA
7. [Linguística]  O mesmo que romani.
substantivo masculino
8. [Ornitologia]  Ave do Norte do Brasil.
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Por  (SP) em 27-06-2009
Cigano: Membro do grupo étnico originado
do Antigo Oriente, Provavelmente do Norte da India.. Conhecidos por suas danças, musicas alegres e misticismos em todos os países. Por ser um povo errante, sua cultura agrega cultura de vários países. Eles foram e ainda são alvos de muito preconceito, Uma das maiores chacinas vivenciada pelo povo cigano foi durante a segunda guerra mundial, nos campos de concentrações alemães.



sábado, 26 de setembro de 2015

Au nom des seins ! Contre le Cancer du sein





«Détectés à temps, 90% des cancers du sein se soignent. Afin d’encourager au dépistage, CARTE NOIRE Soluble et l’association Le Cancer du Sein, Parlons-en ! ont invité 12 personnalités féminines à révéler les surnoms qu’elles donnent à leurs seins.»


«CARTE NOIRE Soluble remercie les 12 femmes qui ont été sensibles à la cause et ont joué le jeu : la célèbre designer Chantal Thomass, les chanteuses Micky Green, Inna Modja et Yelle, l’actrice et animatrice Virginie de Clausade, Kenza (de La Revue de Kenza), Pauline (de Fashion Blog), Violette (du blog Sois belle et Parle), Margot (du blog You Make Fashion), la mannequin Caidy Huan, la it-girl Inès Melia et la comédienne Sigrid Bouaziz.»

MERCI: http://iletaitunepub.fr/blog/2015/09/25/aunomdesseins-la-campagne-qui-encourage-les-femmes-a-se-faire-depister/

quarta-feira, 23 de setembro de 2015