domingo, 22 de março de 2026

SOLÍS - Equinoccio de primavera 2026



 AQUI


«O Dia Internacional de Nowruz é celebrado, anualmente, a 21 de março. Nowruz marca o primeiro dia da Primavera. A palavra Nowruz (Novruz, Navruz, Nooruz, Nooruz, Nevruz, Nauryz) significa novo dia.

É celebrado há mais de 3 000 anos na Ásia Central, nos Balcãs, na zona do Mar Negro, no Médio Oriente e noutras regiões. Em 2009, foi incluído na lista de Património Cultural Imaterial da Humanidade.

A sua celebração significa a afirmação da vida em harmonia com a natureza, a consciência da ligação inseparável entre o trabalho e os ciclos naturais de renovação, com uma atitude respeitosa para com as fontes naturais da vida.»



Na Ferreira - « Sento-me à mesa como se a mesa fosse o mundo inteiro»


Numa sala quentinha (apesar do frio de dezembro), entre muitas mesas silenciosas, uma conversa  ficou sustida no tempo para me oferecer estes sorrisos imutáveis...


15 de dezembro de 2016


Porque as nossas vidas se ergueram à volta de mesas como esta, amparadas pelo companheirismo...

Margarida, Manuel e Lourdes, abraços jubilados!
Alice e Ana, muita energia até jubilarem (em todos os sentidos)!

Maria Laura



Os trabalhos e os dias


Sento-me à mesa como se a mesa fosse o mundo inteiro

e principio a escrever como se escrever fosse respirar

o amor que não se esvai enquanto os corpos sabem

de um caminho sem nada para o regresso da vida.


À medida que escrevo, vou ficando espantado

com a convicção que a mínima coisa põe em não ser nada.

Na mínima coisa que sou, pôde a poesia ser hábito.

Vem, teimosa, com a alegria de eu ficar alegre,

quando fico triste por serem palavras já ditas

estas que vêm, lembradas, doutros poemas velhos.


Uma corrente me prende à mesa em que os homens comem.

E os convivas que chegam intencionalmente sorriem

e só eu sei porque principiei a escrever no princípio do mundo

e desenhei uma rena para a caçar melhor

e falo da verdade, essa iguaria rara:

este papel, esta mesa, eu apreendendo o que escrevo.


Jorge de Sena

 

sexta-feira, 20 de março de 2026

ANTÓNIO GEDEÃO - Não há, não, duas folhas iguais

 


Fotografia - José Maria Laura



Não há, não,

duas folhas iguais em toda a criação.

Ou nervura a menos, ou célula a mais,

não há, de certeza, duas folhas iguais.

Limbo todas têm,

que é próprio das folhas;

pecíolo algumas;

baínha nem todas.

Umas são fendidas,

crenadas, lobadas,

inteiras, partidas,

singelas, dobradas.

Outras acerosas,

redondas, agudas,

macias, viscosas,

fibrosas, carnudas.

Nas formas presentes,

nos actos distantes,

mesmo semelhantes

são sempre diferentes.

Umas vão e caem no charco cinzento,

e lançam apelos nas ondas que fazem;

outras vão e jazem

sem mais movimento.

Mas outras não jazem,

nem caem, nem gritam,

apenas volitam

nas dobras do vento.

É dessas que eu sou.


António Gedeão


quinta-feira, 19 de março de 2026

MARIA DO ROSÁRIO PEDREIRA - Pai, dizem-me que ainda te chamo


Fotografia - José Maria Laura


Pai, dizem-me que ainda te chamo


Pai, dizem-me que ainda te chamo, às vezes, durante

o sono - a ausência não te apaga como a bruma

sossega, ao entardecer, o gume das esquinas. Há nos

meus sonhos um território suspenso de toda a dor,

um país de verão aonde não chegam as guinadas

da morte e todas as conchas da praia trazem pérola. Aí


nos encontramos, para dizermos um ao outro aquilo

que pensámos ter, afinal, a vida toda para dizer; aí te

chamo, quando a luz me cega na lâmina do mar, com

lábios que se movem como serpentes, mas sem nenhum

ruído que envenene as palavras: pai, pai. Contam-me


depois que é deste lado da noite que me ouvem gritar

e que por isso me libertam bruscamente do cativeiro

escuro desse sonho. Não sabem


que o pesadelo é a vida onde já não posso dizer o teu

nome - porque a memória é uma fogueira dentro

das mãos e tu onde estás também não me respondes.


Maria do Rosário Pedreira, in Nenhum Nome Depois



sexta-feira, 13 de março de 2026

Outra Ferreira a crescer...


Betão tirado a ferros , manchinhas verdes  e árvores a resistir...
José Maria Laura






Fotos - José Maria Laura, março de 2026

A Construção do Poema

A construção do poema é a construção do mundo.
Não símbolos, não imagens, simples criaturas
do ar, evidências obscuras, enigmas luminosos,
as formas do vento, os silêncios do sono.
As palavras são impulsos de um corpo soterrado.

Uma condição de alegria no vazio sensual
que se desenha concreto na bruma vagarosa.
Letra a letra, desfibramos o coração do sol.
Vemos numa torre do vento uma árvore balouçando.
Vivemos no ócio da sombra mais materna.

Talvez o poema seja uma pequena lâmpada
solitária ou um branco sortilégio, o prodígio
que restabelece a verde transparência
de um mundo imóvel, ou só uns fragmentos
obscuros, uma pedra clara, um hálito solar.

António Ramos Rosa



 

domingo, 8 de março de 2026

ONU - Igualdade de género





 

DOCE LEGUAS - No voy sola




«Esta lámina es un homenaje silencioso a las mujeres que nos habitan. A las que vinieron antes, a las que nos sostuvieron, a las que caminaron incluso cuando no había camino. Figuras que avanzan juntas, cargando flores, memoria y ternura, recordándonos que nunca estamos realmente solas.

Es una pieza que habla de sororidad, de herencia emocional y de la fuerza que se transmite de generación en generación. De avanzar con miedo, pero avanzar igual. De llevar dentro a quienes nos enseñaron a florecer.»

AQUI



CLUBE UBUNTU - Na Ferreira ... Dias da Mulher

 

Uma bela iniciativa do Clube Ubuntu da Ferreira Dias que partilhamos com alegria (e saudade!) 

para celebrar o Dia dos Direitos da Mulher!

Os vossos sorrisos luminosos e alguns versos fortes sustentam a nossa homenagem a tantas Mulheres que povoam as salas, palmilham os corredores e desenham a alma da Ferreira!

José Maria Laura 



« Hoje celebrámos o Dia da Mulher com um pequeno gesto cheio de significado. As alunas do Clube Ubuntu prepararam uma surpresa especial para todas as mulheres docentes e não docentes da Escola Secundária Ferreira Dias.
Cada mulher recebeu uma frase inspiradora, de e para mulheres, acompanhada de um rebuçado, como símbolo de carinho, reconhecimento e gratidão pelo papel fundamental que desempenham todos os dias.
💜
Foi um momento simples, mas cheio de sorrisos, partilha e valorização da força, coragem e inspiração que cada mulher representa.
✨ Porque cada mulher merece ser lembrada do seu valor.
✨ Porque juntas somos mais fortes.»



O mar dos meus olhos

Há mulheres que trazem o mar nos olhos
Não pela cor
Mas pela vastidão da alma
E trazem a poesia nos dedos e nos sorrisos
Ficam para além do tempo
Como se a maré nunca as levasse
Da praia onde foram felizes
Há mulheres que trazem o mar nos olhos
pela grandeza da imensidão da alma
pelo infinito modo como abarcam as coisas e os homens…
Há mulheres que são maré em noites de tardes…
e calma.

Adelina Barradas de Oliveira


Retrato de Mulher

Algo de cereal e de campestre
Algo de simples em sua claridade
Algo sorri em sua austeridade

Sophia de Mello Breyner Andresen


Mulheres à beira-mar

Confundido os seus cabelos com 
os cabelos do vento, têm o corpo feliz de ser tão seu e tão denso em plena liberdade.
Lançam os braços pela praia fora e a brancura dos seus pulsos penetra nas espumas.
Passam aves de asas agudas e a curva dos seus olhos prolonga o interminável rastro no céu branco.
Com a boca colada ao horizonte aspiram longamente a virgindade de um mundo que nasceu.
O extremo dos seus dedos toca o cimo de delícia e vertigem onde o ar acaba e começa.
E aos seus ombros cola-se uma alga, feliz de ser tão verde.

Sophia de Mello Breyner Andresen



Mulher

A mulher não é só casa
mulher-loiça, mulher-cama
ela é também mulher-asa,
mulher-força, mulher-chama
E é preciso dizer
dessa antiga condição
a mulher soube trazer
a cabeça e o coração
Trouxe a fábrica ao seu lar
e ordenado à cozinha
e impôs a trabalhar
a razão que sempre tinha
Trabalho não só de parto
mas também de construção
para um filho crescer farto
para um filho crescer são
A posse vai-se acabar
no tempo da liberdade
o que importa é saber estar
juntos em pé de igualdade
Desde que as coisas se tornem
naquilo que a gente quer
é igual dizer meu homem
ou dizer minha mulher”

Ary dos Santos

 


Ode à paz

[...]
Pelas lágrimas das mães a quem nuvens sangrentas 
Arrebatam os filhos para a torpeza da guerra, 
Eu te conjuro ó paz, eu te invoco ó benigna, 
Ó Santa, ó talismã contra a indústria feroz. 
Com tuas mãos que abatem as bandeiras da ira, 
Com o teu esconjuro da bomba e do algoz, 
Abre as portas da História, 
                               deixa passar a Vida! 

Natália Correia


Hoje é dia da Mulher.
Ontem foi dia da Mulher.
Amanhã
será dia da Mulher.
Enquanto houver dias.
Enquanto
houver Mulheres.

[Atribuído a]  Joaquim Pessoa 



sábado, 7 de março de 2026

UNICEF - Childhood always loses the war

Campanha intitulada "A infância sempre perde a guerra" 
Chile - novembro de 2023
Agência de publicidade Havas 






 

terça-feira, 3 de março de 2026

A Ferreira Dias na VI Mostra da Oferta Formativa do Concelho de Sintra



O Ensino Profissional é uma alternativa de qualidade graças às boas práticas de tantos docentes dedicados.
Bem hajam !


Ensino Profissional na Ferreira 

Curso Técnico Auxiliar de Saúde




Curso Técnico de Turismo



 VI Mostra da Oferta Formativa do Concelho de Sintra

«A Câmara Municipal de Sintra realiza a VI Mostra da Oferta Formativa, de 2 a 6 de março, nas instalações do Complexo Desportivo Municipal de Ouressa, com entrada gratuita.

Este evento é dirigido a alunos do 3º ciclo, docentes, técnicos, famílias e encarregados de educação, e dá a conhecer a oferta formativa disponível na rede escolar pública e privada Sintrense, com o objetivo de ajudar os jovens a tomar decisões esclarecidas sobre o seu futuro pessoal e profissional.
[...]
Espera-se a participação de cerca de 3 mil jovens e 300 docentes/técnicos, durante o evento. 
[...]
Esta edição decorre nos dias 2 e 4 de março, das 08h30 às 17h00; nos dias 3 e 5 de março, das 13h30 às 17h00; e no dia 6 de março, das 08h30 às 13h00.»