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O próprio do ser humano é pensar. Pensa, pois, de dia e de noite. Neste espaço - às vezes nulo - entre dias e noites surgiu a possibilidade de um estendal de documentos. Primeiro, pensados para possível utilização em atividades escolares. Depois, expostos à sensibilidade de qualquer um. Se não vieres de dia, se não vieres de noite, podes vir ao lusco-fusco que é quando o texto, a imagem, o som e o silêncio sustentam a cor do teu olhar.
José Maria Laura
domingo, 22 de março de 2026
SOLÍS - Equinoccio de primavera 2026
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Na Ferreira - « Sento-me à mesa como se a mesa fosse o mundo inteiro»
Os trabalhos e os dias
Sento-me à mesa como se a mesa fosse o mundo inteiro
e principio a escrever como se escrever fosse respirar
o amor que não se esvai enquanto os corpos sabem
de um caminho sem nada para o regresso da vida.
À medida que escrevo, vou ficando espantado
com a convicção que a mínima coisa põe em não ser nada.
Na mínima coisa que sou, pôde a poesia ser hábito.
Vem, teimosa, com a alegria de eu ficar alegre,
quando fico triste por serem palavras já ditas
estas que vêm, lembradas, doutros poemas velhos.
Uma corrente me prende à mesa em que os homens comem.
E os convivas que chegam intencionalmente sorriem
e só eu sei porque principiei a escrever no princípio do mundo
e desenhei uma rena para a caçar melhor
e falo da verdade, essa iguaria rara:
este papel, esta mesa, eu apreendendo o que escrevo.
Jorge de Sena
sexta-feira, 20 de março de 2026
ANTÓNIO GEDEÃO - Não há, não, duas folhas iguais
Não há, não,
duas folhas iguais em toda a criação.
Ou nervura a menos, ou célula a mais,
não há, de certeza, duas folhas iguais.
Limbo todas têm,
que é próprio das folhas;
pecíolo algumas;
baínha nem todas.
Umas são fendidas,
crenadas, lobadas,
inteiras, partidas,
singelas, dobradas.
Outras acerosas,
redondas, agudas,
macias, viscosas,
fibrosas, carnudas.
Nas formas presentes,
nos actos distantes,
mesmo semelhantes
são sempre diferentes.
Umas vão e caem no charco cinzento,
e lançam apelos nas ondas que fazem;
outras vão e jazem
sem mais movimento.
Mas outras não jazem,
nem caem, nem gritam,
apenas volitam
nas dobras do vento.
É dessas que eu sou.
António Gedeão
quinta-feira, 19 de março de 2026
MARIA DO ROSÁRIO PEDREIRA - Pai, dizem-me que ainda te chamo
Pai, dizem-me que ainda te chamo
Pai, dizem-me que ainda te chamo, às vezes, durante
o sono - a ausência não te apaga como a bruma
sossega, ao entardecer, o gume das esquinas. Há nos
meus sonhos um território suspenso de toda a dor,
um país de verão aonde não chegam as guinadas
da morte e todas as conchas da praia trazem pérola. Aí
nos encontramos, para dizermos um ao outro aquilo
que pensámos ter, afinal, a vida toda para dizer; aí te
chamo, quando a luz me cega na lâmina do mar, com
lábios que se movem como serpentes, mas sem nenhum
ruído que envenene as palavras: pai, pai. Contam-me
depois que é deste lado da noite que me ouvem gritar
e que por isso me libertam bruscamente do cativeiro
escuro desse sonho. Não sabem
que o pesadelo é a vida onde já não posso dizer o teu
nome - porque a memória é uma fogueira dentro
das mãos e tu onde estás também não me respondes.
Maria do Rosário Pedreira, in Nenhum Nome Depois
quarta-feira, 18 de março de 2026
sexta-feira, 13 de março de 2026
Outra Ferreira a crescer...
domingo, 8 de março de 2026
DOCE LEGUAS - No voy sola
Es una pieza que habla de sororidad, de herencia emocional y de la fuerza que se transmite de generación en generación. De avanzar con miedo, pero avanzar igual. De llevar dentro a quienes nos enseñaron a florecer.»
CLUBE UBUNTU - Na Ferreira ... Dias da Mulher
Uma bela iniciativa do Clube Ubuntu da Ferreira Dias que partilhamos com alegria (e saudade!)
para celebrar o Dia dos Direitos da Mulher!
Os vossos sorrisos luminosos e alguns versos fortes sustentam a nossa homenagem a tantas Mulheres que povoam as salas, palmilham os corredores e desenham a alma da Ferreira!
José Maria Laura


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